"M - Matou" / "M"
(Alemanha – 1931) - (99 min. - P/B)
Peter Lorre, Otto Wernicke, Gustav Grundgens.
Em 1931 Fritz Lang irá oferecer-nos um dos seus filmes mais famosos, partindo de um caso que ficou conhecido na Imprensa como “O Vampiro de Dusseldorf” e, como não podia deixar de ser, a sua mulher Thea von Harbou, habitual colaboradora nos argumentos do filme do cineasta, dissecou o estado de uma nação a partir deste caso do quotidiano.
Peter Lorre irá vestir a pele do assassino de crianças Frantz Becker, que gosta de assobiar uma melodia cativante, enquanto passeia pelas ruas da cidade, em busca das suas pequenas vítimas indefesas. O rosto do assassino é o de uma criança crescida, quase inofensiva, escondendo o mal que lhe vai na alma. Elisa Beckmann será mais uma das suas vítimas e a polícia chefiada pelo célebre comissário Lohmann (Otto Wernicke) começa a prender todos os suspeitos que vivem na cidade, atormentando o organizado mundo do crime.
E serão precisamente estes elementos, que vivem na sombra da cidade, que irão efectuar uma verdadeira caça ao homem, para não verem a sua organização desmantelada. No dia em que um deles descobre finalmente a identidade do homem mais procurado na cidade, desenha nas suas costas a letra M, com um pedaço de giz, para os seus acólitos o identificarem. Perseguido de forma impiedosa e finalmente encurralado, Frantz Becker acaba por ser apanhado pelos malfeitores, que decidem fazer o seu julgamento, segundo a sua própria justiça, condenando-o de imediato à morte.
Durante o julgamento vimos o medo estampado no rosto de Frantz Becker, que ingenuamente se defende das acusações, proclamando a sua inocência. E aqui Fritz Lang oferece a Peter Lorre o mais célebre momento cinematográfico da sua carreira de actor. Mas quando o temido assassino de crianças está prestes a ser linchado pelos malfeitores, a polícia invade o esconderijo e prende-o.
Na época, esta película atormentou muito “boa gente”, porque o filme fala precisamente de um poder que estava prestes a nascer desse ovo da serpente, que Ingmar Bergman tão bem caracterizou no filme com o mesmo nome. Mais uma vez, o genial cineasta alemão filma o mal da mesma forma com que tinha criado o célebre Dr. Mabuse que irá incomodar o próprio poder nascente.
(Re)ver “M – Matou” é na verdade entrar pela porta grande da Sétima Arte e descobrir no écran, uma das mais espantosas criações desse grande actor chamado Peter Lorre.
Rui Luís Lima
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