quinta-feira, 3 de abril de 2025

Neil Young - "Decade"


Neil Young
"Decade"
Reprise Records
1976

No ano de 1977 Neil Young lança uma colectânea num triplo álbum reunindo 35 temas do seu reportório em nome próprio, oferecendo uma bela viagem pela sua discografia da década de setenta do século passado.

Rui Luís Lima

Neil Young
"Old Man"

Andrew Weiner - "O Feito"


Andrew Weiner
"O Feito"
Magazine do Fantástico e Ficção Cientifica nº.1
(The Magazine of Fantasy and Science Fiction)
Matriz / Editorial Império

Andrew Weiner nasceu em Londres (1949) bacharel em Psicologia Social, trabalhou em publicidade, uma actividade de que não gostou, escreveu sobre rock para algumas revistas inglesas e desenvolveu trabalho na área da psicologia, assim como diversas traduções, tendo-se estreado na literatura em 1972 e em 1974 emigrou para o Canada, onde viria a residir até à sua morte em 2019. Escreveu diversos romances e dezenas de "short-stories" de que "o Feito" é um bom exemplo da sua escrita na área da ficção-científica.

Rui Luís Lima

Plutão

" Diário de Stern:

Primeiro dia

A viagem começa. E começa bastante bem, pelo menos até este momento. Encontramo-nos a caminho, bem lançados, quase completamente fora do sistema segundo o último boletim Webb, a uma distância já muito grande de casa. E amanhã, muito cedo, ultrapassaremos a velocidade da luz e entraremos nesse espaço nulo de que tanto tenho ouvido falar, iniciando o verdadeiro voo inter-estelar."

Andrew Weiner
in "O Feito"

Ron Howard - “Resgate” / “Ransom”


Ron Howard
“Resgate” / “Ransom”
(EUA – 1996) – (117 min. / Cor)
Mel Gibson, Rene Russo, Gary Sinise,
Brawley Nolte, Lily Taylor, Delroy Lindo.

“Resgate” será talvez um dos melhores filmes de Ron Howard, um dos cineastas preferidos dos Estúdios Americanos, tudo nele é certinho, não possui aquele “golpe de asa” transformador de uma película em obra-prima, embora esteja a milhas do habitual tarefeiro e aqui podemos descobrir que um dos seus segredos do realizador é a direcção de actores, o “cast” é perfeito e Mel Gibson está no seu melhor, interpretando a personagem Tom Mullen muitos anos antes criada por um excelente Glenn Ford em 1954, sendo dirigido na época por Alex Segal, estamos assim perante mais um “remake” de Hollywood.


Mel Gibson surge assim num papel para o qual foi talhado no cinema, rodeado por excelentes secundários como o brilhante Gary Sinise, um dos maiores valores do cinema norte-americano, procurem ver o seu “Ratos e Homens” (interpretou e realizou), baseado na obra de John Steinbeck e perceberão perfeitamente as qualidades deste actor. Depois temos Delroy Lindo, o detective de serviço e Lili Taylor (a namorada do líder do gang), que apesar das suas enormes qualidades como actriz, não consegue sair da “segunda divisão”, já o mesmo não podemos dizer de René Russo (a mãe da criança) sempre igual a si própria, mas vamos ao filme.


Tom Mullen (Mel Gibson) é dono de uma companhia de aviação e num belo dia em que leva o filho Sean (Brawley Nolte, filho na vida real de Nick Nolte) a passear em Central Park, para a criança desfrutar de uma feira de diversões, vê o filho desaparecer. A operação corre na perfeição para o gang e de imediato surge um pedido de resgate, através de um “e-mail” anónimo. Maris Conner (Lili Taylor), que em tempos trabalhara para o clã Mullen, conhece as rotinas da família, surgindo como o elemento perfeito para tomar conta da criança, que irá ficar de olhos vendados, nunca sabendo a identidade dos raptores. Começa então um “thriller” emocionante, com Mullen a não aceitar as directrizes do FBI, jogando contra tudo e todos na busca do filho, terminando por ir a esse grande meio de comunicação que é a TV, afirmando pagar os dois milhões de dollars a quem lhe fornecer pistas para encontrar o filho.


Desta forma ele invade o território dos raptores, levando o seu líder a alterar os planos, ao mesmo tempo que entra em confronto com os restantes elementos, porque um plano para ser bem sucedido, muitas vezes, tem que navegar ao sabor dos acontecimentos e aqui ninguém melhor do que ele sabe do assunto porque a sua profissão legal se situa do lado da lei. Encontramos assim um Gary Sinise no seu melhor, a receber a recompensa em casa do milionário, só que a sua presença será traída quando a sua voz é reconhecida pela criança. E aqui temos um dos momentos de maior tensão da película, antes já tínhamos tido as habituais perseguições e ajustes de contas, demonstrando como Ron Howard possui uma máquina bem oleada nas suas produções, embora muito se deva ao excelente argumento de Richard Pryor (Life Lessons).


Mel Gibson surge-nos aqui longe do cineasta que se irá revelar através da sua trilogia “Braveheart”, “Passion” e “Apocalypto” e se muitos hoje não gostam das opções do actor transformado em realizador e das suas convicções ultra-religiosas, para já não se falar das suas opções políticas, cujas afirmações públicas tanta tinta têm feito correr nos jornais, somos obrigados a reconhecer que o actor se transformou em autor ou cineasta se preferirem. Mas uma verdade poderá ser dita, se podemos contestar o Mel Gibson cineasta, nunca nos poderemos interrogar sobre o seu valor como actor e “Resgate” é a prova plena das suas qualidades interpretativas.


Quanto a Ron Howard, ao assinar este “remake”, género tão em voga na América, nos dias de hoje, oferece-nos uma película sem mácula, demonstrando o seu saber, ao prender o espectador à cadeira ao longo do filme, criando até uma empatia do espectador com o raptor. Descobrir a nova versão de “Ransom” e confrontá-la com o original é um exercício que merece ser feito, acima de tudo pelo trabalho dos actores, mas também pela forma como Richard Pryor, esse excelente argumentista, nos consegue prender a atenção, à medida que os minutos vão passando e o fumo branco insiste em não surgir.

Rui Luís Lima

Ernest De Gengenbach - "Judas ou o Vampiro Surrealista" / "Judas ou le vampire surréaliste"


Ernest De Gengenbach
"Judas ou o Vampiro Surrealista" / "Judas ou le vampire surréaliste"
Páginas: 196
& etc.

Quando comprei este livro, fruto do meu interesse pelo surrealismo e pela linha editorial das edições & etc, desconhecia a existência deste antigo seminarista que dava pelo nome de Ernest De Gemgenbach, mas que também assinou outros textos com o pseudónimo de Jehan Sylvius, enquanto na revista "La Révolution Surréaliste" assinava com o nome de Jean Genbach.

Ernest De Gengenbach
(1903 - 1979)

Curiosamente sempre que me cruzo com certos programas da RTP-2, por breves segundos, recordo-me sempre deste "Judas ou o Vampiro Surrealista", que bem merecia ser reeditado, tal como a obra deste escritor que um dia viu a sua vida alterada para sempre, quando fugiu do Seminário para ir a um Cabaret, sendo posteriormente denunciado às autoridades eclesiásticas!

Rui Luís Lima

Ralph Nelson - “Duelo em Diablo” / “Duel at Diablo”


Ralph Nelson
“Duelo em Diablo” / “Duel at Diablo”
(EUA – 1966) – (103 min./Cor)
James Garner, Sidney Poitier, Bibi Andersson, Dennis Weaver.

Para aqueles que ainda são cinéfilos, o nome do cineasta Ralph Nelson fica de imediato ligado à memória do filme “Soldado Azul” /”Soldier Blue”, com a bela Candice Bergen, mas antes este cineasta experiente, oriundo da televisão para o cinema como muitos da sua geração, realizou este magnifico “Duel at Diablo” / “Duelo em Diablo”, em que denuncia de forma vigorosa o racismo.


E se pensa que estamos a falar da personagem interpretada por Sidney Poitier, digo-lhe já que está redondamente enganado, porque aqui trata-se de Bibi Andersson (a famosa actriz de Ingmar Bergman num “western”!), que é mãe de uma criança índia, desprezada por toda a população da cidade, enquanto o famoso guia/batedor do exército Jess Remsberg (James Garner) procura o assassino da sua mulher (que era índia).


“Duelo em Diablo” de Ralph Nelson apresenta-se já como uma peça fulcral na revisão do “western”, surgida nesses anos 60/70 do século passado, que teve também em Sam Peckinpah e Arthur Penn dois cineastas incontornáveis na História deste género cinematográfico.


Mas a película de Ralph Nelson possui ainda muitos outros cambiantes que nos levam a perceber como funcionava a natureza humana nesse território inóspito do Oeste Americano, com os seus ódios e essa lei por vezes tão dúbia, para além da célebre ambição do comandante da coluna militar, que será cercada pelos índios fugidos da reserva, porque nesse território oferecido pelo governo americano para eles viverem não há pradarias, nem búfalos, apenas rochas.


Um filme a descobrir!

Rui Luís Lima

Garfield - "Bigger Than Life" - Jim Davis


Garfield
"Bigger Than Life"
Arte: Jim Davis
Argumento: Jim Davis

Garfield um dos mais famosos gatos da banda desenhada, num álbum bem divertido!

Ray Johnson - "Elvis Presley No.1"


Ray Johnson
"Elvis Presley No.1"
Têmpera e tinta sobre papel de jornal
27,9 x 20,6 cm.
Ano: 1955

Gary Burton - “Seven Songs for Quartet and Chamber Music” - (Music by Michael Gibbs)


Gary Burton
“Seven Songs for Quartet and Chamber Music”
(Music by Michael Gibbs)
ECM 1040
ECM Records
1974

Gary Burton – vibraharp.
Michael Goodrick – guitar.
Steve Swallow – bass.
Ted Seibs – drums.
NDR – Symphony Orchestra, Hamburg, dirigida por Michael Gibbs.

1 – Nocturne Vulgaire / Arise, Her Eyes – 9:35
2 – Throb – 5:28
3 – By Way of a Preface – 4:35
4 – Phases – 7:25
5 – The Rain Before It Falls – 4:06
6 – Three – 6:13

Gary Burton

Esta gravação de Gary Burton com a NDR Symphony Orchestra de Hamburgo, foi registada em Dezembro de 1973, sendo os temas da autoria de Michael Gibbs que também dirige a Orquestra, excepto o famoso “Arise, Her Eyes” da responsabilidade de Steve Swallow, que aqui surge no baixo eléctrico a acompanhar Gary Burton no vibrafone e aos quais se juntaram Michael Goodrick na guitarra e Ted Seibs na bateria, estamos assim perante aquele que foi o quadragésimo álbum editado pela famosa editora de Munique, a ECM Records de Manfred Eicher, que mais uma vez decidiu oferecer ao grande público o encontro entre a denominada musica erudita com o jazz, através das composições de Michael Gibbs.

Michael Gibbs

Durante décadas se esperou pela edição deste trabalho no formato de cd, o que só sucedeu agora numa bela embalagem em cartão que reproduz o LP original, mas infelizmente pouco prática para quem gosta das habituais caixas de plástico. Mais uma vez o ouvinte fica profundamente fascinado pela música envolvente que escuta ao longo de “Seven Songs for Quartet and Chamber Orchestra”, onde o vibrafone de Gary Burton navega de forma límpida e cristalina. Uma reedição que se saúda e merece ser (re)descoberta, por todos os amantes de jazz!

Gravado em Dezembro de 1973 em Hamburg, por Henning Ruete e remisturado por Martin Wieland. Produzido por Manfred Eicher. Design da capa da responsabilidade de Frieder Wieland. Todas as composições são da autoria de Michael Gibbs excepto o tema “Arise, Her Eyes” pertencente a Steve Swallow.

Rui Luís Lima

Richard Boleslawski - “O Jardim de Alá” / “The Garden of Allah”


Richard Boleslawski
“O Jardim de Alá” / “The Garden of Allah”
(EUA – 1936) – (79 min./Cor)
Marlene Dietrich, Charles Boyer, Basil Rathbone.

Antes de mais, tenho de confessor que sou fan de Marlene Dietrich que descobri, tal como muitos, no célebre “O Anjo Azul” de Josef von Sternberg e depois ainda mais seduzido fiquei aquando do ciclo Sternberg na Gulbenkian/Cinemateca, em que vimos os sete filmes que ela fez com o cineasta.


Mas se me perguntarem em que filme ela mais me maravilhou, terei de afirmar que a película se intitula “O Jardim de Alá” / “The Garden of Allah”, realizado por Richard Boleslawski, um cineasta que partiu demasiado cedo (1937), tendo feito com sucesso a transição do mudo para o sonoro, mas o último nome que surge no genérico desta película não é o do cineasta, mas sim o do produtor esse poderoso David O’Selznick, que mais uma vez deixa a sua marca neste genial melodrama, onde a fé e a falta de fé surgem numa batalha que gostaríamos que estivesse ausente, para bem dos amantes da película.


“O Jardim de Allah” / “The Garden of Allah” possui uma fotografia a cores verdadeiramente deslumbrante e Marlene Dietrich está linda e sedutora, como nunca tinha encontrado no écran de cinema, numa cópia restaurada. Recorde-se que esta película recebeu o Oscar para a Melhor Fotografia a Cores de 1936, entregue a Howard Greene e Harold Rosson, tendo também Virgil Miller contribuído para o sucesso da mesma.


A história do melodrama no cinema passa decididamente por este filme de Richard Boleslawski!

Rui Luís Lima

quarta-feira, 2 de abril de 2025

Plumbline / Roger Eno - "Transparency


Plumbline / Roger Eno
"Transparency"
Hydrogen Dukebox
2006

Plumbline / Roger Eno
"Transparency"

John K. Fyfe - "A Nossa Corrida Suicida Atrás dos Submarinos"


John K. Fyfe
"A Nossa Corrida Suicida Atrás dos Submarinos"
Colecção Guerra nº.10
Palirex

No volume 10 da "Colecção Guerra" editada pela editora Palirex encontramos um pequeno conto escrito pelo Almirante John K. Fyfe, que nos relata a sua odisseia ao comando do USS Batfish nesse dia histórico em que afundaram três submarinos inimigos.

Na imagem que reproduzimos temos à direita o então Capitão John K. Fyfe ao lado do outro oficial Walter Small. A forma como este conto está escrito é de tal forma intensa que nos sentimos no interior do submarino acompanhando todas as sequências dos diversos combates, a angústia dos seus tripulantes e a honra dos combatentes.

Por vezes nestes livros da Literatura Popular muito em voga nas décadas de 50/60/70 do século passado descobrimos verdadeiras pérolas literárias.

Rui Luís Lima

Mel Gibson - “Braveheart – O Desafio do Guerreiro” / “Braveheart”


Mel Gibson
“Braveheart – O Desafio do Guerreiro” / “Braveheart”
(EUA – 1995) – (177 min. / cor)
Mel Gibson, Sophie Marceau, Patrick McGoohan,
Catherine McCormack, Angus MacFadyen.

O actor Mel Gibson tornou-se famoso ao dar rosto ao herói de “Mad Max”, criado pelo cineasta australiano George Miller, num conjunto de três filmes, que fizeram do actor uma verdadeira estrela e como não podia deixar de ser o apelo de Hollywood fez-se sentir de imediato, sendo “O Rio” / “The River” de Mark Rydell, um espantoso filme que tinha também Sissy Spacek como protagonista, que abriu decididamente as portas dos grandes Estúdios para a estrela de Mel Gibson brilhar. E ao longo dos anos o actor abordou os mais variados géneros cinematográficos, até surgir esse célebre impulso para passar para detrás da câmara e tornar-se realizador.


Curiosamente ao contrário do que se fazia prever, o Mel Gibson realizador decidiu levar ao grande écran um épico, navegando assim contra a corrente da época, ao apresentar-nos a história do rebelde escocês William Wallace que no século XIV decidiu enfrentar o feroz rei Edward I de Inglaterra (Patrick McGoohan), conhecido por Longshanks, e lutar pela independência da Escócia, após a sua amada Murron (Catherine McCormack) ter sido morta.


Estamos assim perante um épico de grande orçamento, saindo a maioria do dinheiro do bolso do próprio Mel Gibson, que nos oferece não só a habitual história de amor, primeiro com a sua amada Murron e depois com a Princesa Isabelle (Sophie Marceau), ao mesmo tempo que usa milhares de extras nas sequências das batalhas, que nos são apresentadas de forma bem violenta e sanguinolenta, revelando Mel Gibson um enorme saber na forma como estas batalhas nos são retratadas. E mais uma vez, como não podia deixar de ser, a história volta a repetir-se, em “Braveheart – O “Desafio do Guerreiro”, quando a traição surge através de um dos seus aliados na luta pela independência da Escócia.


“Braveheart – O Desafio do Guerreiro”, com cerca de três horas de duração, consegue subverter as regras do jogo e sair vencedor do desafio encetado por Mel Gibson, que viu a película ser coroada por um enorme sucesso comercial e crítico, ao mesmo tempo que recebia cinco Oscars da Academia de Hollywood: Melhor Filme, Melhor Realizador (Mel Gibson em noite de glória), Melhor Fotografia, Melhores Efeitos Sonoros Especiais e Melhor Caracterização.


Revisto muitos anos depois “Braveheart – O Desafio do Guerreiro”, continua a fascinar o espectador, ao mesmo tempo que lançou Mel Gibson numa carreira como realizador, repleta de polémicas.

Rui Luís Lima

Lionel White - "O Mistério do Barco Abandonado" / "The Crimshaw Memorandum"


Lionel White
"O Mistério do Barco Abandonado" / "The Crimshaw Memorandum"
Colecção: Vampiro nº.382
Páginas: 176
Livros do Brasil

«Nas histórias de ficção, fica-se sempre com uma ideia de que os detectives têm duas características deveras invulgares: nunca dormem, nem têm de ir à casa de banho. Uma é verdade e a outra, nem sempre. Os detectives da vida real vão à asa de banho, como os outros mortais, mas na realidade, dormem muito pouco, ou quase nada, especialmente quando andam a trabalhar num caso.»

Lionel White
in "O Mistério do Barco Abandonado"

James Ivory - “Shakespeare Wallah”


James Ivory
“Shakespeare Wallah”
(Grã-Bretanha / EUA – 1965) – (120 min.-P/B)
Shashi Kapoor, Felicity Kendal, Geoffrey Kendal, Madhur Jaffrey.

Confesso-me desde já como um fan dos filmes de James Ivory e nada melhor para conhecermos a obre de um cineasta, do que descobrir os seus inícios e se já aqui escrevemos sobre o fabuloso “The Householder” (que vimos na Cinemateca), chegou agora a vez do seu segundo filme, o belo “Shakespeare Wallah”, que tem a particularidade de o argumento possuir a assinatura de James Ivory ao lado da magnífica argumentista Ruth Prawer Jhabvala que, com o produtor Ismael Marchant, formaram um dos trios produtivos mais fascinantes da Sétima Arte.


“Shakespeare Wallah” conta-nos a história de uma companhia teatral inglesa itinerante que, dois anos após a Independência dessa Jóia da Coroa que foi a Índia, permanece a representar Shakespeare, porque como irá confessar o seu fundador, o inesquecível Tony Buckingham (Geofrey Kendal), em Inglaterra não iriam encontrar espaço para representar as suas peças, fosse qual fosse a zona da famosa ilha; assim iremos acompanhar a odisseia desta família teatral, pai, mãe e filha, que irá uma noite cruzar-se com um jovem indiano (Shashi Kapoor), que se estreara a trabalhar como produtor cinematográfico e que se irá apaixonar pela bela Lizzie (Felicity Kendal), mas uma prima (Madhur Jaffrey), que começa a ser conhecida no universo de Bollywood, que então nascia e que se encontra apaixonada por ele, tudo irá fazer para dificultar a união do par.


Este segundo filme de James Ivory possui a particularidade de os três actores ingleses, da companhia itinerante, serem precisamente pai, mãe e filha na vida real e terem percorrido a Índia como companhia teatral itinerante, divulgando as peças de William Shakespeare, por outro lado a interpretação de Madhur Jaffrey valeu-lhe a conquista do Urso de Prata do Festival de Berlin, para a Melhor actriz. Vale a pena descobrir os primórdios da filmografia de James Ivory, para conhecermos melhor este genial cineasta.

Rui Luís Lima

Peanuts - "Charlie Brown & Friends - Snoopy nº.18" - Charles M. Schulz


Peanuts
Charlie Brown & Friends
Snoopy nº.18
Arte: Charles M. Schulz
Argumento: Charles M. Schulz
Páginas Dominicais publicadas ao longo do ano de 1968
Páginas: 62
Planeta DeAgostini

A editora Planeta Agostini lançou-se na aventura de publicar as páginas dominicais dos célebres personagens criados por esse génio chamado Charles M. Schulz, a partir da edição lançada no Brasil, mas por razões que a própria razão desconhece decidiu intitular as páginas dominicais de tiras dominicais, mas tirando isso, os livros possuem uma apresentação excelente, embora o português seja brasileiro e sempre com um estudo dedicado aos Peanuts de enorme interesse.

O ano de 1968 foi um ano de grandes acontecimentos!

Rui Luís Lima

Andy Warhol - "Single Elvis"


Andy Warhol
"Single Elvis"
Serigrafia sobre acrílico sobr tela
210 x 105 cm.
Ano: 1964
Ungarisches Ludwig Museum, Budapeste

Vassilis Tsabropoulos / Arild Andersen / John Marshall - "Achirana"


Vassilis Tsabropoulos / Arild Andersen / John Marshall
"Achirana"
ECM 1728
ECM Records
2000

Vassilis Tsabropollos - piano.
Arild Andersen - double bass.
John Marshall - drums.

Vassilis Tsabropoulos, pianista e compositor grego deu “nas vistas” quando gravou o seu álbum de duetos com a violoncelista Anja Lechner e em “Achirana” ele surge em trio de jazz, acompanhado por dois nomes grandes: Arild Andersen e o baterista John Marshall, que anteriormente fizera parte da formação dos Soft Machine. Este anteriormente pode ser traduzido por "â longos anos".

Rui Luís Lima

Alfred E. Green - “Mulher Perigosa” / “Dangerous”


Alfred E. Green
“Mulher Perigosa” / “Dangerous”
(EUA – 1935) – (79 min. – P/B)
Bette Davis, Franchot Tone, Margareth Lindsay.

Ao ser nomeada pela segunda vez para o Oscar, Bette Davis, com a sua espantosa interpretação neste filme, realizado por Alfred E. Green, não deixou fugir a estatueta que tanto ambicionava, conquistando assim pela primeira vez o Oscar para a Melhor Interpretação Feminina.


Ao vermos o final de “Mulher Perigosa” / “Dangerous”, revela-se bem notória a imposição do Estúdio, no argumento, para a criação de um final que fosse de encontro com os desejos das plateias, um teste que se fazia muito na época, nas famosas “preview” ou ante-estreias, se preferirem este termo.

Rui Luís Lima

terça-feira, 1 de abril de 2025

Pink Floyd - "Is There Anybody Out There?" - (The Wall Live - 1980-81)


Pink Floyd
"Is There Anybody Out There?"
(The Wall Live - 1980-81)
EMI
2000

Roger Waters - vocals, bass guitar, acoustic guitar, clarinet.
David Gilmour - electric guitar, acoustic guitars, vocals, mandolin.
Richard Wright - piano, organ, synthesizer, accordion.
Nick Mason - drums, percussion, acoustic guitar.

Pink Floyd

O duplo álbum "The Wall" num registo ao vivo em que o rock substituiu as orquestrações do álbum de Estúdio. Simplesmente sublime e memorável!

Rui Luís Lima

Pink Floyd
"Comfortably Numb"

Charles V. De Vet - "Segunda Hipótese"


Charles V. De Vet
"Segunda Hipótese"
Magazine do Fantástico e Ficção Cientifica nº.3
(The Magazine of Fantasy and Science Fiction)
Matriz / Editorial Império

Charles V. De Vet (1911 - 1997) foi um escritor de ficção-científica que dedicou grande parte da sua vida às famosas "short-stories", escrevendo e publicando nos magazines dedicados a este género literário, que tinham uma enorme legião de leitores, sendo as décadas de 50/60 que viram surgir o grosso da sua produção literária, embora nos anos 80 tenha regressado ao convívio dos seus leitores e como não podia deixar de ser a maioria dos seus contos foram reunidos e publicados em livro.

Rui Luís Lima

Planeta Vénus

«A jornada fora um risco calculado. Se os Arako ainda mantivessem o seu feroz ressentimento em relação aos humanos, que tinham invadido o seu mundo quase quinhentos anos antes, Jim Joyce estaria morto antes de alcançar as aldeias deles. Decidira não levar com ele armas de fogo, tinha de fazer o que fosse possível, para mostrar aos Arako que vinha em paz.»

Charles V. De Vet
in "Segunda Hipótese"

Lee Tamahori - “A Alma dos Guerreiros” / “Once Were Warriors”


Lee Tamahori
“A Alma dos Guerreiros” / “Once Were Warriors”
(Nova Zelândia – 1994) – (102 min. / Cor)
Rena Owen, Temuera Morrison, Mamaengaroa Kerr-Bell, Julian Arahanga.

Quando o cinema fez cem anos, o British Film Institute encomendou a cineastas de diversos países um documentário sobre a história do cinema no seu país, tendo ficado célebre o realizado por Martin Scorsese intitulado “A Personal Journey With Martin Scorsese Trough American Movies” / “Uma Viagem Pelo Cinema Americano”, já editado em dvd no nosso país. No que diz respeito à Nova Zelândia, país que nos interessa aqui, a escolha não recaiu sobre a mais famosa cineasta dos antípodas Jane Campion, mas sim no actor Sam Neil, conhecido de todos e ficámos desta forma através das suas imagens a saber como nasceu e evoluiu o cinema da Oceânia. Falamos muito no australiano e esquecemo-nos do outro parente deste continente.


Isto tudo para falarmos de Lee Tamahori e do seu filme “A Alma dos Guerreiros” / “Once Were Warriors”, um dos mais surpreendentes arranques numa carreira de cineasta, surpreendendo tudo e todos, aliás bem demonstrado no Festival de Montreal (Canadá) e como não podia deixar de ser o braço longo de Hollywood foi de imediato buscar o cineasta.


Regressemos ao filme antes de falarmos da carreira deste cineasta, filho de pai Mahori e mãe inglesa. Os Mahori são bem conhecidos de todos nós quando vimos os torneios de râguebi, sendo célebre a cerimónia encenada pelos elementos da equipa antes dos jogos, eles são os descendentes de um povo guerreiro. Ora é disso mesmo que trata a película de Lee Tamahori, a impossibilidade de actos de bravura desse povo guerreiro, confinado a um estatuto de segunda categoria numa sociedade dominada pelos naturais da Grã-Bretanha.


A pouco e pouco o povo Mahori foi perdendo as referências, deixando-se encurralar nos subúrbios das grandes cidades, no caso concreto do filme será Auckland, encontrando na bebida um conforto, enquanto os atritos provocados nas ruas dos subúrbios lhes oferecem a oportunidade de gritar bem alto a sua força de guerreiros, outrora senhores da terra. Por isso mesmo eles cultivam a sua masculinidade através da opressão feminina, veja-se a forma como Jake (Temuera Morrison) trata a mulher Beth (Rena Owen), como se ela estivesse ali só para satisfazer os seus desejos sexuais, usando a violação como prova de poder e a violência motivada pelo álcool como a fuga sem saída do seu quotidiano sem luz, onde o desemprego é uma dura realidade.


Será neste microcosmos de violência e dor que irá residir o filme de Lee Tamahori, apresentando-nos a luta de duas mulheres, mãe e filha, vítimas de um mundo onde a lei não tem qualquer poder. A revolta de Beth será um dos momentos chaves da película e se os filhos de Jake começam já a seguir as pisadas do pai, a sua filha, depois de toda a dor sofrida, irá ser a luz que irá indicar o caminho da salvação para a mãe.


Lee Tamahori iniciou a sua actividade como fotógrafo, depois passou a director de fotografia e assistente de realização. Durante 10 anos viveu no mundo da publicidade, bem visível no seu cinema, onde foi por diversas vezes premiado. Na televisão aprendeu a arte da realização, e depois estreou-se no cinema com este “Once Were Warriors” / “A Alma dos Guerreiros”, que o projectou internacionalmente, acabando por ser requisitado pelos Estúdios Americanos estreando-se na América no policial “Brigada de Elite” / “Mulholland Falls”, com um elenco encabeçado por Nick Nolte, e onde abundavam valores seguros como Malkovich, Palminteri e Madsen. Depois foi a vez de quase um regresso às origens através de “The Edge” com argumento do célebre David Mamet, onde Anthony Hopkins e Alec Baldwin brilham perdidos na floresta, em duplo duelo: o da sobrevivência com o urso; o do prazer através do corpo de Elle Macpherson.


Depois o cineasta regressou ao policial, através de “A Conspiração da Aranha” / “Along Came a Spider”, revelando-se então como valor seguro dos Estúdios. Mas os maus resultados de “Die Another Day”, onde Halle Berry não brilhou ao lado de Mr. Bond (Pierce Brosnan) conduziram-no às ruas secundárias de Hollywood, “xxx: State of the Union” foi um fracasso e o desemprego bateu-lhe à porta. Mas como Lee Tamahori é um realizador talentoso conseguiu regressar ao trabalho e em 2007 ofereceu-nos “Next” / “Next – Sem Alternativa” com Nicolas Cage e Julianne Moore nos protagonistas e em 2011 realiza na Europa “A Dupla Pele do Diabo” / “The Devil’s Double” e de seguida regressa às origens ou seja à Nova-Zelândia e o seu enorme talento renasce das cinzas com “O Patriarca” / “Mahana”.


Quanto “A Alma dos Guerreiros”, obra de uma visibilidade dolorosa, é um daqueles filmes merecedores de serem revistos, obrigando-nos a reconhecer que, no mundo tecnológico do século xxi, a mulher ainda tem muitas lutas a travar com o universo masculino, seja no terceiro mundo ou nas sociedades industrializadas. O simples gesto de tirar o véu da cabeça, como sucede no magnífico “10” da Abbas Kiarostami representa uma afirmação de luta e liberdade. “A Alma dos Guerreiros” no filme de Lee Tamahori também vive no interior do corpo feminino e quando o seu grito se faz ouvir, não há vocabulário que o possa extinguir.

Rui Luís Lima