sexta-feira, 4 de abril de 2025

Tintin - "O Caranquejo das Tenazes de Ouro" - Hergé


Tintin
"O Caranquejo das Tenazes de Ouro"
Arte: Hergé
Argumento: Hergé
Páginas: 64
Editor: Asa

O caso da morte de um marinheiro investigado por Dupond e Dupont, está relacionada com o que parece ser uma lata de caranguejo. Tintin embarca num cargueiro chamado Karaboudjan, onde é capturado por um bando de criminosos que escondem droga dentro de latas iguais. Tintin consegue escapar num bote, juntamente com o capitão do navio, Haddock, que completamente alcoolizado acaba por afundar o bote.


Entretanto, um hidroavião tenta matá-los, mas os nossos heróis conseguem apoderar-se dele, acabando por se despenhar no deserto. São salvos pela legião estrangeira francesa que os leva até um porto em Marrocos, onde o capitão Haddock reconhece o seu navio. Tintin e a polícia conseguem capturar a quadrilha. Estamos perante mais um delicioso album de Tintin saído das mãos desse génio chamado Hergé (Geroges Remy)..

Robert Indiana - "Love Rising"


Robert Indiana
"Love Rising"
Acrílico sobre tela, 4 painéis.
370 x 370 cm.
Ano: 1968
Museum Moderner Kunst, Viena.

John Abercrombie Quartet - “Arcade”


John Abercrombie Quartet
“Arcade”
ECM 1133
ECM Records
1979

John Abercrombie – guitar, mandolin guitar.
Richie Beirach – piano.
George Mraz – double bass.
Peter Donald – drums.

1 – Arcade (John Abercrombie) – 9:43
2 – Nightlake (Richard Beirach) – 5:35
3 – Paramour (John Abercrombie) – 5:09
4 – Neptune (Richard Beirach) – 7:34
5 – Alchemy (Richard Beirach) – 11:34

John Abercrombie

John Abercrombie é um nome incontornável na história do jazz, tendo eleito a guitarra, nas suas diversas vertentes, como o instrumento ideal para expandir a sua Arte e “Arcade” foi o primeiro álbum deste quarteto por ele liderado e que tive a felicidade de ver ao vivo no Festival de Jazz de Cascais, quando ouvir jazz ao vivo era uma verdadeira aventura, recordo-me que em palco estava um trio de jazz Finlandês trazido por Villas-Boas, com o patrocínio da Embaixada da Finlândia, quando o homem do jazz anunciou à plateia que o avião onde vinha John Abercrombie tinha acabado de aterrar no Aeroporto da Portela, percebemos que iria haver atrasos, tendo Villas-Boas pedido aos simpáticos finlandeses para prolongarem o seu concerto e eles assim fizeram. Durante quase uma hora eles mantiveram-se em palco, “até que desistiram”. Depois soubemos que John Abercrombie e o seu quarteto já estavam na estrada e uma hora depois eles pisaram o palco do Pavilhão de Cascais e deram um dos maiores concertos de jazz que vi em toda a minha vida.

John Abercrombie Quartet

Nesse concerto memorável em Cascais, John Abercrombie tocou vários temas do fabuloso álbum “Arcade” e quando todos o vimos a tocar o célebre Mandolin Guitar, ficámos rendidos às suas sonoridades. Mas quem me surpreendeu também foi o pianista Richard Beirach, que assina três belos temas do álbum “Arcade”, tendo desde esse dia seguido a sua carreira, da mesma maneira que fixei os nomes do contra-baixista George Mraz, simplesmente soberbo e tão pouco falado, sempre muito bem acompanhado pela secção rítmica de Peter Donald.

Richard Beirach

John Abercrombie deixou-nos recentemente, mas a sua música é eterna e quando escutamos este “John Abercrombie Quartet”, ficamos rendidos à genialidade deste fabuloso quarteto de jazz. Vale a pena descobrirem estes quatro magníficos!

Gravado em Dezembro de 1978, no Talent Studio, Oslo, por Jan Erik Kongshaug. Design de Barbara Wojirsch .Fotografia de Dieter Rehm. Produção de Manfred Eicher.

Rui Luís Lima

Luis Buñuel - "España Leal em Armas”


Luis Buñuel
"España Leal em Armas”
(Espanha – 1937) – (40 min. – P/B)
Documentário sobre a Guerra Civil

Quando rebentou a Guerra Civil em Espanha, Buñuel tinha um futuro promissor à sua frente e tendo em conta os seus conhecimentos dos meios intelectuais franceses, o Governo da República enviou-o para a Embaixada em Paris, com a missão de explicar o que se passava, ao mesmo tempo que lhe incumbiam a recolha de material para diversos documentários de divulgação da causa Republicana.


Assim irá nascer este filme, cuja supervisão e montagem pertenceram a Luis Buñuel, tendo a recolha das imagens sido feita por diversos operadores, muitos cujo nome ficou para sempre desconhecido, como sucede amiúde nos conflitos, mas destacando-se os nomes de Ramon Karmén e Manuel Villegas López, enquanto na montagem dos documentos recolhidos trabalhou também o francês Jean-Paul Le Chanois.


Como sabemos, são inúmeros os filmes feitos sobre este conflito, sendo os mais conhecidos os realizados por André Malraux,“L’espoir” / “A Esperança” e Joris Ivens, “Terra de Espanha” / “The Spanish Earth”, mas este “España Leal em Armas” possui na força das suas imagens e respectivo “raccord” a marca de Luis Buñuel e ao vermos a forma como ele nos mostra os acontecimentos, com a famosa “neutralidade” de franceses e ingleses e a bem visível intervenção da Itália e Alemanha fala por si e curiosamente o filme termina ainda com um grito de esperança, que terminaria por ser barbaramente aniquilado.


Nota: O Canal Arte exibiu recentemente um filme sobre a história das Brigadas Internacionais na Guerra Civil de Espanha, um desses documentos que forma um quarteto perfeito com estes três filmes que referimos sobre uma das páginas mais negras da História Contemporânea.

Rui Luís Lima

quinta-feira, 3 de abril de 2025

Neil Young - "Decade"


Neil Young
"Decade"
Reprise Records
1976

No ano de 1977 Neil Young lança uma colectânea num triplo álbum reunindo 35 temas do seu reportório em nome próprio, oferecendo uma bela viagem pela sua discografia da década de setenta do século passado.

Rui Luís Lima

Neil Young
"Old Man"

Andrew Weiner - "O Feito"


Andrew Weiner
"O Feito"
Magazine do Fantástico e Ficção Cientifica nº.1
(The Magazine of Fantasy and Science Fiction)
Matriz / Editorial Império

Andrew Weiner nasceu em Londres (1949) bacharel em Psicologia Social, trabalhou em publicidade, uma actividade de que não gostou, escreveu sobre rock para algumas revistas inglesas e desenvolveu trabalho na área da psicologia, assim como diversas traduções, tendo-se estreado na literatura em 1972 e em 1974 emigrou para o Canada, onde viria a residir até à sua morte em 2019. Escreveu diversos romances e dezenas de "short-stories" de que "o Feito" é um bom exemplo da sua escrita na área da ficção-científica.

Rui Luís Lima

Plutão

" Diário de Stern:

Primeiro dia

A viagem começa. E começa bastante bem, pelo menos até este momento. Encontramo-nos a caminho, bem lançados, quase completamente fora do sistema segundo o último boletim Webb, a uma distância já muito grande de casa. E amanhã, muito cedo, ultrapassaremos a velocidade da luz e entraremos nesse espaço nulo de que tanto tenho ouvido falar, iniciando o verdadeiro voo inter-estelar."

Andrew Weiner
in "O Feito"

Ron Howard - “Resgate” / “Ransom”


Ron Howard
“Resgate” / “Ransom”
(EUA – 1996) – (117 min. / Cor)
Mel Gibson, Rene Russo, Gary Sinise,
Brawley Nolte, Lily Taylor, Delroy Lindo.

“Resgate” será talvez um dos melhores filmes de Ron Howard, um dos cineastas preferidos dos Estúdios Americanos, tudo nele é certinho, não possui aquele “golpe de asa” transformador de uma película em obra-prima, embora esteja a milhas do habitual tarefeiro e aqui podemos descobrir que um dos seus segredos do realizador é a direcção de actores, o “cast” é perfeito e Mel Gibson está no seu melhor, interpretando a personagem Tom Mullen muitos anos antes criada por um excelente Glenn Ford em 1954, sendo dirigido na época por Alex Segal, estamos assim perante mais um “remake” de Hollywood.


Mel Gibson surge assim num papel para o qual foi talhado no cinema, rodeado por excelentes secundários como o brilhante Gary Sinise, um dos maiores valores do cinema norte-americano, procurem ver o seu “Ratos e Homens” (interpretou e realizou), baseado na obra de John Steinbeck e perceberão perfeitamente as qualidades deste actor. Depois temos Delroy Lindo, o detective de serviço e Lili Taylor (a namorada do líder do gang), que apesar das suas enormes qualidades como actriz, não consegue sair da “segunda divisão”, já o mesmo não podemos dizer de René Russo (a mãe da criança) sempre igual a si própria, mas vamos ao filme.


Tom Mullen (Mel Gibson) é dono de uma companhia de aviação e num belo dia em que leva o filho Sean (Brawley Nolte, filho na vida real de Nick Nolte) a passear em Central Park, para a criança desfrutar de uma feira de diversões, vê o filho desaparecer. A operação corre na perfeição para o gang e de imediato surge um pedido de resgate, através de um “e-mail” anónimo. Maris Conner (Lili Taylor), que em tempos trabalhara para o clã Mullen, conhece as rotinas da família, surgindo como o elemento perfeito para tomar conta da criança, que irá ficar de olhos vendados, nunca sabendo a identidade dos raptores. Começa então um “thriller” emocionante, com Mullen a não aceitar as directrizes do FBI, jogando contra tudo e todos na busca do filho, terminando por ir a esse grande meio de comunicação que é a TV, afirmando pagar os dois milhões de dollars a quem lhe fornecer pistas para encontrar o filho.


Desta forma ele invade o território dos raptores, levando o seu líder a alterar os planos, ao mesmo tempo que entra em confronto com os restantes elementos, porque um plano para ser bem sucedido, muitas vezes, tem que navegar ao sabor dos acontecimentos e aqui ninguém melhor do que ele sabe do assunto porque a sua profissão legal se situa do lado da lei. Encontramos assim um Gary Sinise no seu melhor, a receber a recompensa em casa do milionário, só que a sua presença será traída quando a sua voz é reconhecida pela criança. E aqui temos um dos momentos de maior tensão da película, antes já tínhamos tido as habituais perseguições e ajustes de contas, demonstrando como Ron Howard possui uma máquina bem oleada nas suas produções, embora muito se deva ao excelente argumento de Richard Pryor (Life Lessons).


Mel Gibson surge-nos aqui longe do cineasta que se irá revelar através da sua trilogia “Braveheart”, “Passion” e “Apocalypto” e se muitos hoje não gostam das opções do actor transformado em realizador e das suas convicções ultra-religiosas, para já não se falar das suas opções políticas, cujas afirmações públicas tanta tinta têm feito correr nos jornais, somos obrigados a reconhecer que o actor se transformou em autor ou cineasta se preferirem. Mas uma verdade poderá ser dita, se podemos contestar o Mel Gibson cineasta, nunca nos poderemos interrogar sobre o seu valor como actor e “Resgate” é a prova plena das suas qualidades interpretativas.


Quanto a Ron Howard, ao assinar este “remake”, género tão em voga na América, nos dias de hoje, oferece-nos uma película sem mácula, demonstrando o seu saber, ao prender o espectador à cadeira ao longo do filme, criando até uma empatia do espectador com o raptor. Descobrir a nova versão de “Ransom” e confrontá-la com o original é um exercício que merece ser feito, acima de tudo pelo trabalho dos actores, mas também pela forma como Richard Pryor, esse excelente argumentista, nos consegue prender a atenção, à medida que os minutos vão passando e o fumo branco insiste em não surgir.

Rui Luís Lima

Ernest De Gengenbach - "Judas ou o Vampiro Surrealista" / "Judas ou le vampire surréaliste"


Ernest De Gengenbach
"Judas ou o Vampiro Surrealista" / "Judas ou le vampire surréaliste"
Páginas: 196
& etc.

Quando comprei este livro, fruto do meu interesse pelo surrealismo e pela linha editorial das edições & etc, desconhecia a existência deste antigo seminarista que dava pelo nome de Ernest De Gemgenbach, mas que também assinou outros textos com o pseudónimo de Jehan Sylvius, enquanto na revista "La Révolution Surréaliste" assinava com o nome de Jean Genbach.

Ernest De Gengenbach
(1903 - 1979)

Curiosamente sempre que me cruzo com certos programas da RTP-2, por breves segundos, recordo-me sempre deste "Judas ou o Vampiro Surrealista", que bem merecia ser reeditado, tal como a obra deste escritor que um dia viu a sua vida alterada para sempre, quando fugiu do Seminário para ir a um Cabaret, sendo posteriormente denunciado às autoridades eclesiásticas!

Rui Luís Lima

Ralph Nelson - “Duelo em Diablo” / “Duel at Diablo”


Ralph Nelson
“Duelo em Diablo” / “Duel at Diablo”
(EUA – 1966) – (103 min./Cor)
James Garner, Sidney Poitier, Bibi Andersson, Dennis Weaver.

Para aqueles que ainda são cinéfilos, o nome do cineasta Ralph Nelson fica de imediato ligado à memória do filme “Soldado Azul” /”Soldier Blue”, com a bela Candice Bergen, mas antes este cineasta experiente, oriundo da televisão para o cinema como muitos da sua geração, realizou este magnifico “Duel at Diablo” / “Duelo em Diablo”, em que denuncia de forma vigorosa o racismo.


E se pensa que estamos a falar da personagem interpretada por Sidney Poitier, digo-lhe já que está redondamente enganado, porque aqui trata-se de Bibi Andersson (a famosa actriz de Ingmar Bergman num “western”!), que é mãe de uma criança índia, desprezada por toda a população da cidade, enquanto o famoso guia/batedor do exército Jess Remsberg (James Garner) procura o assassino da sua mulher (que era índia).


“Duelo em Diablo” de Ralph Nelson apresenta-se já como uma peça fulcral na revisão do “western”, surgida nesses anos 60/70 do século passado, que teve também em Sam Peckinpah e Arthur Penn dois cineastas incontornáveis na História deste género cinematográfico.


Mas a película de Ralph Nelson possui ainda muitos outros cambiantes que nos levam a perceber como funcionava a natureza humana nesse território inóspito do Oeste Americano, com os seus ódios e essa lei por vezes tão dúbia, para além da célebre ambição do comandante da coluna militar, que será cercada pelos índios fugidos da reserva, porque nesse território oferecido pelo governo americano para eles viverem não há pradarias, nem búfalos, apenas rochas.


Um filme a descobrir!

Rui Luís Lima