sexta-feira, 28 de março de 2025

Neal Barrett Jr. - "O Stutzman Voador"


Neal Barrett Jr.
"O Stutzman Voador"
Magazine do Fantástico e Ficção Cientifica nº.2
(The Magazine of Fantasy and Science Fiction)
Matriz / Editorial Império

Neal Barrett Jr. (1929 - 2014) e desde cedo começou a dedicar-se à escrita das famosas "short-stories" fruto também das inúmeras revistas existentes, muitas delas temáticas e assim em Agosto de 1960 publicou o seu primeiro conto de ficção-científica intitulado "To Tell the Trhth", iniciando assim uma acticvidade literária que se irá estender também aos famoso crimes e mistérios, para além do fantástico. Rapidamente passa das "short-stories" às novelas e em 1980 viu o seu mérito como escritor a ser reconhecido após a publicação de "Through Darkest America". Nomeado para os famosos prémios "Nebula Award" e "Hugo Award" terminaria por receber o título de "Author Emeritus" do "Science Fiction and Fantasy Writers of America.

Em "O Stutzman Voador" descobrimos uma fantasia invulgar acerca de um vendedor que é apanhado num inferno vivo de hospedeiras, travessas de lanches e refeições das linhas aéreas. Após a sua leituras certamente nunca mais voltaremos a queixar de voar.

Rui Luís Lima

Planeta Neptuno

«Stutzman deu uma olhadela através da pequena janela redonda. Bancos compactos de nuvens perfeitamente brancas cobriam a terra. Podia-se olhar para uma nuvem durante o dia inteiro sem pensar em nada. Uma vez, quando voltara a casa, dissera a Ângela: "Nunca alguém se magoou a olhar para uma nuvem"»

Neal Barrett Jr.
in "O Stutzman Voador"

Sydney Pollack - “Havana”


Sydney Pollack
“Havana”
(EUA – 1990) – (144 min. / Cor)
Robert Redford, Lena Olin, Raul Julia, Alan Arkin, Tomas Milian.

Sydney Pollack após receber essa imensa chuva dourada de Óscares respeitante a “África Minha” / “Out of Africa”, que atingiu uma visibilidade a nível planetário, tudo indicava que o cineasta iria descansar, por uns tempos, mas o cineasta decidiu fazer mais uma vez uma daquelas obras que nos deixam perfeitamente fascinados na sala escura do cinema olhando maravilhados, o écran mágico. Falo evidentemente desse seu filme, infelizmente pouco amado pelo público, intitulado “Havana”.


No elenco temos mais uma vez Robert Redford, o jogador, que inevitavelmente nos faz recordar o Humphrey Bogart de “Casablanca”, mas também essa actriz de Ingmar Bergman, a sueca Lena Olin na figura da esposa do resistente cubano, que luta contra o regime de Batista, podendo também ela se chamar Ilsa e ser esposa de um “tal” Viktor Laszlo fugido dos nazis e que se refugia em Casablanca para adquirir o tal visto que lhe possibilita chegar a Lisboa e partir então para os EUA. E aqui descobrimos esse grande actor chamado Raul Julia na figura do revolucionário cubano.


Sintetizando, Sydney Pollack com “Havana” refez a história de “Casablanca” com a mesma intensidade deste mítico filme da Sétima Arte, embora o público não tenha feito dele o sucesso que merecia, mas se nos recordarmos da história comercial de “Casablanca”, nasce de imediato o sorriso da memória.


“Casablanca” teve imensos problemas. Ingrid Bergman foi uma segunda escolha e Humphrey Bogart a terceira escolha; o argumento era alterado diariamente e ninguém sabia, incluindo os actores como iria terminar o filme. Na época da sua estreia foi apenas “mais um” dos muitos filmes produzidos pelos Estúdios de Hollywood para apoiar o esforço de guerra, para depois cair no esquecimento como muitas outras películas desse período. No início dos anos sessenta quando a cinefilia começou a nascer foram os estudantes britânicos os primeiros a “descobrirem” neste filme a essência do melodrama e a fazerem dele o “cult-movie” e o filme da vida de muitos milhões de espectadores.


“Havana” é na verdade um novo “Casablanca”, só que desta vez a história é passada numa ilha, a tal ilha que sofreu durante décadas o bloqueio mais estúpido do mundo, feito pela nação mais poderosa do planeta, mas regressemos ao cinema, dizia eu que “Havana” é na verdade o “Casablanca” moderno e nele estão contidas todas as variantes da obra de Michael Curtiz, depois tanto Robert Redford como Lena Olin estão perfeitos e sedutores nas figuras outrora interpretadas por Humphrey Bogart e Ingrid Bergman (a comparação é inevitável) e claro não nos podemos esquecer de Raul Julia, perfeito no homem dedicado a uma causa. Por fim temos esse final tão belo como o protagonizado por Claude Rains e Humphrey Bogart em “Cadablanca”. A diferença é que desta vez temos o herói na praia olhando o horizonte em busca dessa ilha perdida entre os dedos, ao mesmo tempo que nos narra em voz-off os seus sentimentos pela mulher amada, descobrindo o espectador, em todo o seu esplendor, a essência do melodrama.


“Havana” revela-se como uma das maiores pérolas cinematográficas da genial filmografia de Sydney Pollack.

Rui Luís Lima

Lawrence Durrell / Henry Miller - "A Private Correspondance"


Lawrence Durrell / Henry Miller
"A Private Correspondance"
Faber and Faber
Páginas: 400

Esta correspondência entre Lawrence Durrell e Henry Miller possui uma excelente edição da responsabilidade de George Wickes, que para além de assinar uma interessante introdução, irá ao longo do livro situar o contexto e a época da correspondência trocada entre estes dois nomes incontornáveis da Literatura.

Henry Miller & Lawrence Durrell

Estamos perante um livro fundamental para conhecermos melhor Lawrence Durrell e a sua obra, desde como surgiu o sucesso inesperado, passando pelas inúmeras dificuldades económicas, até à importância da sua terceira esposa na criação do célebre "Quarteto de Alexandria" e muito mais, não esquecendo a famosa carta de Larry para Miller quando este leu "Sexus", que detestou, a que se seguiu um telegrama a pedir desculpa pela linguagem.

Porque razão este livro se encontra por editar em Portugal tal como a restante obre de Lawrence Durrell, permanece um mistério.

Rui Luís Lima

George Cukor - “Agarrem Essa Loira” / “Heller in Pink Tights”


George Cukor
“Agarrem Essa Loira” / “Heller in Pink Tights”
(EUA – 1960) – (100 min./Cor)
Sophia Loren, Anthony Quinn, Margaret O’Brien, Steve Forrest.


Por razões que a própria razão desconhece, a carreira de Sophia Loren em Hollywood não se revelou como um enorme sucesso, no entanto esta extraordinária actriz ofereceu o seu melhor, como sucede neste “western” de George Cukor. E alguns certamente irão interrogar-se: “western” de George Cukor? Mas bem diferente do que é habitual, tal é a sua singularidade no interior do género, onde iremos acompanhar uma “troupe” do espectáculo, que anda de “terra em terra” com o seu espectáculo de variedades, onde os conflitos internos vão surgindo, assim como as viagens por esse inóspito far-west os irão fazer cruzar-se com todo um conjunto de personagens que fizeram deste género cinematográfico um dos mais populares do cinema clássico, arrastando multidões. E ainda me recordo da surpresa dos espectadores da Cinemateca, que descobriram este filme pela primeira vez, no ciclo que foi dedicado ao cineasta.


Este maravilhoso “Agarrem Essa Loura” / “Heller in Pink Tights”, do cineasta que iniciou a rodagem de “E Tudo o Vento Levou” / “Gone With the Wind”, mas que foi despedido por David O’Selznick, bem merece que esta sua película com Sophia Loren e Anthony Quinn seja redescoberta, numa época em que se encontra a passar no pequeno écran.

Rui Luís Lima

"A Morte do Lidador" - Eduardo Teixeira Coelho


"A Morte do Lidador"
Autor: Eduardo Teixeira Coelho
Revista: Jornal do Cuto nº.s 1 a 13
Ano: 1971

Quando Roussado Pinto esse amante da 9ª Arte decidiu lançar o "Jornal do Cuto", cujo título nascia da personagem Cuto, criada pelo espanhol Jesus Blasco, não se esqueceu de incluir autores portugueses de banda desenhada que bem conhecia e assim surge Eduardo Teiceira Coelho com a banda desenhada de caracter histórico "A Morte do Lidador" que irá surgir no primeiro número, estendendo-se a sua publicação até ao número treze.

Rui Luís Lima

Edward Hopper - "November, Washington Square"


Edward Hopper
"November, Washington Square"
Óleo sobre tela
86,7 x127,6 cm.
Ano: 1932
Santa Barbara Museum of Art, Santa Barbara.

Jan Garbarek Group - “Photo With Blue Sky, White Cloud, Wires, Windows and a Red Roof”


Jan Garbarek Group
“Photo With Blue Sky, White Cloud, Wires, Windows and a Red Roof”
ECM 1135
ECM Records
1979

Jan Garbarek – tenor saxophone, soprano saxophone.
Bill Connors – electric guitar, acoustc guitar.
John Taylor – piano.
Eberhard Weber – bass.
Jon Christensen – drums.

1 – Blue Sky – 6:41
2 – White Cloud – 9:03
3 – Windows – 6:42
4 – Red Roof – 7:45
5 – Wires – 5:18
6 – The Picture – 8:03

Jan Garbarek

Nestes anos de jazz europeu de Jan Garbarek, a formação em quarteto era a geralmente eleita pelo saxofonista norueguês, embora ele se tenha iniciado com um quinteto, mas o quarteto tradicional era a norma; neste álbum tal não irá suceder, porque a ele se irá juntar o guitarrista norte-americano Bill Connors, oriundo da banda de jazz-rock “Return to Forever” liderada por Chick Corea, criando uma sonoridade bem diferente do habitual nos quartetos de Jan Garbarek, mas para a qual é fundamental o contributo do pianista britânico John Taylor, membro do célebre trio de jazz Azimuth.

Outra particularidade deste magnífico álbum prende-se com o facto de o título dos temas terem nascido a partir de uma fotografia tirada pelo contrabaixista alemão Eberhard Weber, que figura na capa deste belo trabalho discográfico, intitulado precisamente “Photo With Blue Sky, White Cloud, Windows and a Red Roff”.

Gravado em Dezembro de 1978 no Talent Studio, Oslo, por Jan Erik Kongshaug. Fotografia da capa do álbum de Eberhard Grames. Fotografia da contracapa do álbum de Michal Heeg. Design de Barbara Wojirsch. Produção de Manfred Eicher. Todos temas foram compostos por Jan Garbarek.

Rui Luís Lima

Alfred Hitchcock - “A Herança Maldita” / “Juno and The Paycock”


Alfred Hitchcock
“A Herança Maldita” / “Juno and The Paycock”
(Grã-Bretanha – 1930) – (85 min. – P/B)
Sara Algood, Edward Chapman, Barry Fitzgerald.

Infelizmente as três vezes que vi este filme de Alfred Hitchcock, deparei com cópias em estado bastante lastimoso. A primeira vez num dvd de edição nacional que desaconselho a quem goste minimamente de cinema, depois numa edição francesa que logo no início alertava o espectador para alguns “problemas técnicos”, mas menos má que a edição nacional e por fim uma cópia que encontrei na net, também nada recomendável.


Por outro lado, “A Herança Maldita” / “Juno and The Paycock”, que não é mais do que uma peça de teatro filmada, levou o Mestre do Suspense a confessar a François Truffaut, no seu célebre livro-entrevista, que “não foi uma experiência muito agradável.”


Na verdade Alfred Hitchcock gostou da peça de Sean O’Casey, que aqui surge interpretada por actores irlandeses, mas que não nos fica na memória, como uma obra cinematográfica a rever. No entanto continuarei na minha busca de uma cópia em condições!

Rui Luís Lima

quinta-feira, 27 de março de 2025

Donovan - "Cosmic Wheels"


Donovan
"Cosmic Wheels"
Epic
1972

Os temas "Cosmic Wheels", "Maria Magenta" e "I Like You" eram os que mais passavam na rádio, na época, sendo o último referido muito usado para atrair as miúdas para um namoro. Um dos meus álbuns favoritos deste escocês "balador" chamado Donovan Leithc!

Rui Luís Lima

Donovan
"Cosmic Wheels"